segunda-feira, 24 de agosto de 2009

FC. Porto

Decorridos que se mostram quase dois meses após o início da época, julgo estar em condições de fazer uma breve análise ao meu F.C. Porto.
Assim, e começando pela avaliação aos novos reforços, do que já me foi permitido aquilatar, julgo estar em condições de referir o seguinte:
Na linha defensiva, Beto, Maicon, Nuno André Coelho e Álvaro Pereira merecem a minha aprovação sem reservas, o que não obsta a que expresse o meu lamento pelo facto de vislumbrar que os três primeiros irão ter poucas oportunidades de pisar os melhores palcos ao longo do ano.
No entanto, tal só se ficará a dever à enorme qualidade de Bruno Alves e Rolando, e, ainda assim, à maior fiabilidade que oferece o Helton.
Já Miguel Lopes julgo que terá de passar um bom período nas mãos do Prof. Jesualdo para melhores os seus indíces defensivos e a sua intensidade de jogo.
Na linha média, tanto Belluschi como Valeri agradam-me sobremaneira.
Alguns devem estar agora a indagar-se: mas se o Valeri jogou tão pouco, como é que o tipo poderá dizer tal coisa a respeito dele?
A resposta é tão simples quanto banal e prende-se com uma velha máxima que me foi transmitida por um antigo treinador de futebol que me dizia: um bom jogador vê-se até pela forma como aperta as chuteiras.
Não digo que no caso se trate disso até porque nunca vi o homem a fazê-lo.
Trata-se, isso sim, da forma como vejo que o mesmo lê o jogo, como pensa cada passe e sente a movimentação colectiva, como torna o jogo fácil com os poucos toques que dá na bola antes de a enviar para outros destinos.
Valeri tem classe e isso nota-se até pela forma como corre.
Belluschi, por sua vez, denota uma grande apetência para fazer os tão propalados passes de ruptura e para arquitectar a presença frequente dos colegas na cara do guarda redes.
Na frente ofensiva, chegaram Falcão, Varela e Orlando Sá.
Quanto ao primeiro, não concordo nada com aqueles que dizem tratar-se de um segundo Farias.
De facto, Falcão é um jogador mais rápido, mais tecnicista e mais capaz, ao contrário de Farias, de construir jogo. É espontâneo no remate e tem um óptimo jogo de cabeça, ao contrário do que a sua estatura faz supôr.
Só aponto um senão, que espero que a estrutura do meu clube seja capaz de resolver: tem de melhorar os seus índices físicos e a sua capacidade de choque porque contra defesas de peso julgo que Falcao irá ter grandes dificuldades de se desenvencilhar. Na Champions, só Falcao é curto.
Já Varela não tem sido, felizmente, uma surpresa para mim.
Na verdade, Varela tem revelado o mesmo poder explosivo que lhe tinha visto ao serviço do Est. Amadora.
É rápido, possante e não tem medo de assumir o jogo.
E quando o Prof. conseguir melhorar a sua capacidade de definir aqueles lances em que aparece embalado no vértice da grande área da equipa adversária, ao estilo de Simão Sabrosa, julgo que Varela será mais um jogador que perderemos daqui a dois anos a troco de uns largos milhões de euros.
Para concluir, julgo que o Prof. tem boa matéria prima para trabalhar e aprimorar como só ele sabe fazer.
Dê-se-lhe tempo que ele, em contra partida, dar-nos -á muitas alegrias, como de costume.
Quanto ao jogo de hoje, julgo ser unânime que o meu Porto apresentou uma qualidade de jogo muito interessante.
Na primeira parte criou oportunidades de golo q.b., foi paciente e inteligente e demonstrou já um bom entendimento colectivo.
O empate ao intervalo era manifestamente injusto para uma equipa que soube criar e construir jogo em doses suficientes para marcar, pelo menos, um golo.
Na segunda parte, com a ordem para atacar lançada a Álvaro Pereira, a equipa foi ainda mais entusiástica e ofensiva.
Varela foi ainda mais perturbador e Belluschi continuou na senda de descobrir colegas nas costas dos defesas. Voltamos a criar oportunidades de golo flagrantes e voltamos a desperdiça-las.
Até que surgiu o lance do minuto 67 (salvo erro), lance esse que consistiu, basicamente, numa excelente jogada colectiva que só não deu em golo porque o jogador do Nacional cortou a trajectória da bola com a mão.
O penalti foi, óbvia e claramente, bem assinalado e a expulsão inevitável (quanto à segunda expulsão não me pronuncio porque foi por palavras dirigidas ao árbitro).
Execução perfeita de Falcao e golo feito.
A partir daí sentia-se que era, como foi, uma questão de tempo até surgir o segundo, o terceiro e outros mais.
Em resumo, um bom jogo, uma boa vitória e uma boa temporada em perspectiva.
O caminho faz-se caminhando... e nós só estamos a dar os primeiros passos.