Sábado, 8 de Novembro de 2008

Antero Henrique

Conheci remotamente a pessoa de Antero Henrique há mais de 6 anos, aquando a viagem que fiz a acompanhar a equipa do F.C. Porto à Turquia.
Jogava-se para a Taça Uefa e o F.C. Porto defrontava o Denizlispor.
O jogo acabou empatado a duas bolas. Ainda hoje me recordo do insuportável frio que se fazia sentir à hora do jogo.
Mas esta não foi a única recordação que veio comigo da Turquia.
Na verdade, não mais esqueci as imagens idílicas das piscinas termais de Pamukkale, que mais pareciam um verdadeiro castelo de algodão ou não fosse essa a verdadeira tradução daquele estranho nome.
Igualmente célebre foi o facto de termos embarcado, no regresso a casa, num aeroporto militar nos arredores de Denizli.
Mas o que mais consta registado na minha “parca” memória, é a pessoa de Antero Henrique.
Antero Henrique era, à data, Director das Relações Externas do F.C. Porto, cabendo-lhe definir e coordenar a forma como o F.C. Porto se relacionava com a imprensa e o público em geral.
Antes já tinha sido colaborador na Revista Dragões, inicialmente como secretário de redacção e, pouco depois, como coordenador da publicação.
Chegou ainda a ser o responsável pela criação e gestão do departamento de imprensa do F.C. Porto, e a desempenhar funções no departamento de marketing do clube.
Ora, o que posso testemunhar da curta experiência que vivi naquela célebre viagem, acerca da personalidade central do presente post, é que Antero Henrique já “indiciava” (para mim que não o conhecia) ser um profissional modelar.
Com efeito, a urbanidade e a cortesia que revelava em cada contacto com os adeptos que constituíam a comitiva do F.C. Porto, aliadas a uma forma despretensiosa e agradável de se relacionar com os outros, cativou, desde então, a minha atenção para com a sua pessoa e para a sua progressão no âmbito da estrutura interna da SAD do F.C. Porto.
E foi com agrado e muita satisfação que assisti há cerca de 3 anos à sua nomeação como Director Geral de Futebol da SAD do F.C. Porto, tendo nessa altura percepcionado que, afinal, os “meus” indícios de há 3 anos tinham toda a razão de ser e não se sustentavam, como sucede noutros casos, em meras suspeitas de taberna.
E refira-se ainda em abono da verdade que nem a subida vertiginosa no seio da organização do futebol profissional do F.C. Porto, fez Antero Henrique perder a noção das suas raízes e desmerecer as suas mui nobres capacidades.
E se dúvidas ainda houvesse a este respeito, as mesmas dissipar-se-iam com a simples leitura das suas recentes declarações acerca do (mau) momento do F.C. Porto.
Mas afinal o que revelou Antero Henrique a este respeito? Algo tão singelo mas simultaneamente tão assisado quanto isto:
“Todos os comentários e análises que têm sido feitos a propósito desta equipa serão registados para memória futura. Ainda não nos esquecemos de alguns comentários semelhantes feitos no passado sobre outros jogadores e outros processos, como aconteceu no caso de Pepe, Bosingwa, Lisandro ou até Raul Meireles que hoje jogam ao mais alto nível no FC Porto e não só, provando que tais comentários foram injustos. Temos uma equipa técnica tricampeã que tem todas as condições para desenvolver os jogadores e estes têm potencial para crescer até ao nível do que aconteceu com outros jogadores no passado".
Posso não estar totalmente de acordo com as considerações tecidas, mas a forma serena e instruída com que refuta as correntes opiniões críticas, recusando o tom hostil que seria bem mais fácil, só reforçam a minha convicção que Antero Henrique deve ser um nome a ter em séria linha de conta para uma futura sucessão ao preclaro Jorge Nuno Pinto da Costa.
O seu passado, que tem aliás peculiares coincidências com a do actual líder, e o seu presente justificam merecidamente tal consideração.
Para mim, e digo-o conscientemente, ele é o nome.
No entanto, talvez seja ainda demasiado cedo para abordar o tema, mas o caminho faz-se caminhando..